quinta-feira, 3 de março de 2011

A Classificação do Petróleo

Dependendo de sua densidade (gravity), os óleos são classificados pelo American Petroleum Institute – API – em vários graus (specific gravity), sendo que os com maior graduação são os melhores, ou seja, são petróleos mais leves. Como exemplo, um óleo de 17º API é muito pesado e um de 30º API é mais leve.

Alguns fatores podem afetar o ºAPI dos óleos, tais como:
·         A idade geológica: as rochas antigas tendem a ter maior graduação; mas, rochas terciárias podem ter cerca de 40º API, como as do Mar do Norte.
·         Profundidade do reservatório: quanto maior a profundidade, maior a graduação.
·         Tectonismo: altas graduações são mais comuns em regiões com muitas tensões nas camadas geológicas.
·         Salinidade: os reservatórios de origem marinha tendem a ter maiores graduações do que os de origem de ambientes com água salobra ou fresca.
·         Teor de enxofre: este teor é alto em óleos de baixa graduação.

A classificação do petróleo, de acordo com seus constituintes, interessa desde os geoquímicos até os refinadores.  Os primeiros visam caracterizar o óleo para relacioná-los à rocha-mãe e medir o seu grau de degradação.  Os refinadores querem saber a quantidade das diversas frações que podem ser obtidas, assim como sua composição e propriedades físicas.

Assim, os óleos parafínicos são excelentes para a produção de querosene de aviação (QAV), diesel, lubrificante e parafinas.  Os óleos naftalênicos produzem frações significativas de gasolina, nafta petroquímica, QAV e lubrificantes, enquanto que os óleos aromáticos são mais indicados para a produção de gasolina, solventes e asfalto.
·         CLASSE PARAFÍNICA (75% ou mais de parafinas)
Nesta classe estão os óleos leves, fluidos ou de alto ponto de fluidez, com densidade inferior a 0,85.  A maior parte dos petróleos produzidos no Nordeste brasileiro é classificada como parafínica.
Este tipo de petróleo produz subprodutos com as seguintes propriedades:
-          Gasolina de baixo índice de octanagem.
-          Querosene de alta qualidade.
-          Óleo diesel com boas características de combustão.
-          Óleos lubrificantes de alto índice de viscosidade, elevada estabilidade química e alto ponto de fluidez.
-          Resíduos de refinação com elevada percentagem de parafina.

  • CLASSE PARAFÍNICO-NAFTÊNICA (50 – 70% parafinas, >20% de naftênicos)
Os óleos desta classe são os que apresentam densidade e viscosidade maiores do que os parafínicos, mas ainda são moderados.  A maioria dos petróleos produzidos na Bacia de Campos, RJ, é deste tipo.

·         CLASSE NAFTÊNICA (>70% de naftênicos)
Nesta classe enquadra-se um número muito pequeno de óleos.  Apresentam baixo teor de enxofre se originam da alteração bioquímica de óleos parafínicos e parafínico-naftênicos.  Alguns óleos da América do Sul, da Rússia e do Mar do Norte pertencem a esta classe.
O petróleo do tipo naftênico produz subprodutos com as seguintes propriedades principais:
-          Gasolina de alto índice de octonagem.
-          Óleos lubrificantes de baixo resíduo de carbono.
-          Resíduos asfálticos na refinação.

·         CLASSE AROMÁTICA INTERMEDIÁRIA (>50% de hidrocarbonetos a aromáticos)
Compreende óleos freqüentemente pesados, contendo uma densidade usualmente é maior que 0,85.  Alguns óleos do Oriente Médio (Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Iraque, Síria e Turquia), África Ocidental, Venezuela, Califórnia e Mediterrâneo (Sicília, Espanha e Grécia) são desta classe.

·         CLASSE AROMÁTICO-NAFTÊNICA (>35% de naftênicos)
Óleos deste grupo sofreram processo inicial de biodegradação, no qual foram removidas as parafinas.  Eles são derivados dos óleos parafínicos e parafínico-naftênicos.  Alguns óleos da África Ocidental são deste tipo.

·         CLASSE AROMÁTICO-ASFÁLTICA (>35% de asfaltenos e resinas)
Estes óleos são oriundos de um processo de biodegradação avançada em que ocorreria a reunião de monocicloalcenos e oxidação.  Podem também nela se enquadrar alguns poucos óleos verdadeiramente aromáticos não degradados da Venezuela e África Ocidental.  Entretanto, ela compreende principalmente óleos pesados e viscosos, resultantes da alteração dos óleos aromáticos intermediários.  Nesta classe encontra-se os óleos do Canadá ocidental, Venezuela e sul da França.

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